
Juro Simples vs Juro Composto: A Diferença em Números Reais
Juro simples e juro composto comparados lado a lado a 5, 10, 20 e 30 anos, onde cada um aparece em Portugal e porque a dívida composta é a parte que ninguém explica.
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O juro simples calcula-se sempre sobre o capital inicial, por isso cresce em linha reta. O juro composto calcula-se sobre o capital mais os juros já acumulados, por isso cresce em curva e acelera com o tempo. Em prazos curtos a diferença é pequena; em prazos longos torna-se a variável que decide tudo.
O portal Todos Contam, do Plano Nacional de Formação Financeira, define o regime de juro composto como aquele em que obténs juros sobre juros e o capital cresce ao longo do tempo. Este artigo mostra a diferença em euros e onde cada regime aparece na tua vida, incluindo o lado que ninguém explica: a dívida.
| Critério | Juro simples | Juro composto |
|---|---|---|
| Base de cálculo | Capital inicial, sempre | Capital mais juros acumulados |
| Tipo de crescimento | Linear | Exponencial |
| Fórmula | M = C × (1 + i × n) | M = C × (1 + i)ⁿ |
| Onde aparece | Crédito de curto prazo, juros de mora | Poupança, investimento, dívida rotativa |
| Quem beneficia no tempo | Indiferente | Quem tem prazo longo |
Qual é a diferença entre juro simples e juro composto em números?
A diferença entre juro simples e juro composto é desprezável no primeiro ano e determinante ao fim de trinta. Imagina 10.000 € a 4% ao ano nos dois regimes, sem reforços, impostos nem custos:
| Prazo | Juro simples | Juro composto | Diferença |
|---|---|---|---|
| 5 anos | 12.000 € | 12.167 € | +167 € |
| 10 anos | 14.000 € | 14.802 € | +802 € |
| 20 anos | 18.000 € | 21.911 € | +3.911 € |
| 30 anos | 22.000 € | 32.434 € | +10.434 € |
10.000 € a 4% ao ano: linha reta contra curva
No juro simples a conta é sempre a mesma: 4% de 10.000 € são 400 € por ano, e trinta anos dão 12.000 € de juros. No juro composto, o valor multiplica-se por 1,04 em cada ano, o que ao fim de trinta anos dá um fator de 3,24.
Repara na progressão da coluna da diferença: 167 €, depois 802 €, depois 3.911 €, depois 10.434 €. A diferença não cresce de forma constante, cresce cada vez mais depressa. Aos 30 anos, o juro composto gera quase o dobro dos juros do regime simples.
A mecânica por trás desta curva está explicada em detalhe no artigo sobre como funcionam os juros compostos, e a fórmula termo a termo mostra de onde vem o expoente.
Onde aparece o juro simples em Portugal?
O juro simples aparece sobretudo em operações de curto prazo e em situações em que a lei fixa a forma de cálculo.
- Juros de mora, quando pagas uma fatura ou um imposto fora de prazo. São calculados sobre o valor em dívida, à taxa e pelo período de atraso.
- Algumas operações de crédito de curtíssimo prazo, em que o encargo é fixado à partida e não capitaliza durante o contrato.
- Cupões de obrigações que não são reinvestidos. Se recebes o cupão na conta e o gastas, o capital nunca cresce e o regime é efetivamente simples.
Este último caso é o mais revelador: o mesmo produto pode funcionar num regime ou no outro, dependendo apenas de reinvestires ou não o rendimento. O regime não é uma propriedade do produto, é uma consequência do que fazes com os juros.
Onde aparece o juro composto na poupança e no investimento?
O juro composto aparece em qualquer produto onde o rendimento fica dentro do produto e passa a render também.
- Depósitos a prazo com capitalização automática, em que os juros creditados se juntam ao capital.
- Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro, cujos juros são capitalizados segundo as condições da série em vigor, publicadas pelo IGCP.
- ETFs e fundos de acumulação, em que os dividendos são reinvestidos automaticamente pelo fundo, sem passarem pela tua conta. Aqui não há taxa garantida: o rendimento varia com o mercado e há anos negativos.
- PPR, em que o capital acumulado permanece investido até ao resgate.
A condição comum é o rendimento não sair do produto. Um ETF de distribuição que te paga dividendos para a conta só compõe se tu reinvestires esses dividendos por tua iniciativa. Podes testar o efeito com os teus números no simulador de investimentos.
Como é que o juro composto trabalha contra ti nas dívidas?
O juro composto nas dívidas funciona pelo mesmo mecanismo da poupança, com a direção invertida: os juros não pagos juntam-se ao capital em dívida e passam a gerar juros também. É o lado do juro composto de que quase ninguém fala, e é aquele que atinge mais gente.
O caso mais claro é o cartão de crédito em regime rotativo. Imagina 2.000 € de saldo por pagar a uma TAEG de 18%, com capitalização mensal, sem pagares nada. É um exemplo ilustrativo:
| Tempo sem amortizar | Valor em dívida |
|---|---|
| Início | 2.000 € |
| 12 meses | 2.391 € |
| 24 meses | 2.859 € |
Uma dívida de 2.000 € a 18%: o que cresce em cada regime
Ao fim de dois anos deves mais 859 € sem teres comprado nada. Em regime de juro simples, os mesmos 18% durante dois anos dariam 720 € de juros. A diferença de 139 € vem só de os juros do primeiro mês passarem a gerar juros no segundo.
Agora o cenário realista, em que pagas o mínimo. Com os mesmos 2.000 € a 18% e um pagamento de 60 € por mês, demoras 47 meses a limpar a dívida e pagas 2.793 € no total, dos quais 793 € são juros. Quase quatro anos e 40% do valor original em juros, para uma compra que já esqueceste.
Três consequências práticas:
- Amortizar dívida cara é um investimento com retorno garantido. Cortar uma dívida a 18% equivale a um rendimento líquido de 18%, sem risco de mercado e sem imposto.
- A ordem importa. Ataca primeiro a taxa mais alta, porque é onde a composição corre mais depressa contra ti.
- O mínimo do cartão está desenhado para a composição durar. Pagar o mínimo mantém o saldo a compor durante anos.
As taxas máximas que as instituições podem cobrar em cada tipo de crédito ao consumo são fixadas trimestralmente e publicadas pelo Banco de Portugal, no Portal do Cliente Bancário. Consulta os valores em vigor antes de aceitar qualquer proposta.
Qual dos dois regimes te favorece mais?
O regime que te favorece depende de estares do lado de quem recebe ou de quem paga, e do prazo.
A poupar e a investir, o juro composto favorece-te, e favorece-te mais quanto mais longo for o prazo. É a razão pela qual começar aos 25 anos com pouco vale mais do que começar aos 45 com muito.
A pagar dívida, o juro simples é o regime menos mau, porque a dívida não se alimenta a si própria. Um crédito pessoal com prestações fixas e plano de amortização definido é previsível; um cartão em regime rotativo em que só pagas o mínimo não é.
A leitura prática é uma só: procura o composto quando és tu a receber e evita a exposição prolongada ao composto quando és tu a pagar.
Perguntas Frequentes
Perceber os dois regimes é metade do trabalho. A outra metade é saber quanto da tua dívida está a compor contra ti neste momento.
Fontes e revisão
- Todos Contam, juro simples e juro composto
- Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário, taxas máximas no crédito aos consumidores
- Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário, cartões de crédito
- IGCP, Certificados de Aforro
Revisto em 12 de agosto de 2026. Os valores deste artigo são exemplos ilustrativos com taxa constante, sem impostos nem comissões. As taxas máximas do crédito ao consumo são revistas trimestralmente pelo Banco de Portugal.
Por Liberdade Financeira
