
Juros Compostos: Como Funcionam e Quanto Rendem (Exemplos em Euros)
Juros compostos explicados com exemplos em euros: fórmula, tabela a 10, 20 e 30 anos, regra dos 72 e porque o tempo pesa mais do que o capital inicial.
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Juros compostos são juros calculados sobre o capital e sobre os juros já acumulados: o rendimento de cada período junta-se ao capital e passa a render no período seguinte. Nos juros simples, o rendimento incide sempre sobre o capital inicial; nos compostos, incide sobre um capital cada vez maior, e é por isso que o crescimento acelera com o tempo.
O portal Todos Contam, do Plano Nacional de Formação Financeira, descreve o regime de juro composto exatamente assim: obténs juros sobre juros e um capital crescente ao longo do tempo.
Imagina 5.000 € aplicados a uma taxa de 5% ao ano, sem reforços, impostos nem custos. É um exemplo ilustrativo, mas mostra bem a diferença entre os dois regimes:
| Prazo | Juros simples (5%/ano) | Juros compostos (5%/ano) | Diferença |
|---|---|---|---|
| 10 anos | 7.500 € | 8.144 € | +644 € |
| 20 anos | 10.000 € | 13.266 € | +3.266 € |
| 30 anos | 12.500 € | 21.610 € | +9.110 € |
Ao fim de 10 anos a diferença é simpática. Ao fim de 30, os juros compostos quase duplicam o resultado dos juros simples. A comparação detalhada dos dois regimes, incluindo o efeito nas dívidas, está em juro simples vs juro composto.
Como se calculam os juros compostos?
Os juros compostos calculam-se elevando o fator de crescimento ao número de períodos:
Onde M é o montante final, C o capital inicial, i a taxa de juro por período (em decimal, 5% = 0,05) e n o número de períodos. Se os juros forem creditados mensalmente, i e n passam a ser mensais.
A parte que engana a intuição é o expoente. Uma taxa pequena elevada a 30 períodos produz um fator grande: 1,05 elevado a 30 dá cerca de 4,32, ou seja, o capital multiplica por mais de quatro.
Se quiseres a derivação termo a termo, incluindo a variante com aportes mensais, vê a fórmula dos juros compostos explicada passo a passo.
Quanto rendem 5.000 € a 5% ao ano?
Com 5.000 € a render 5% ao ano em regime composto, e mantendo o exemplo ilustrativo sem impostos nem comissões, a evolução é esta:
| Prazo | Montante acumulado | Juros gerados |
|---|---|---|
| 1 ano | 5.250 € | 250 € |
| 10 anos | 8.144 € | 3.144 € |
| 20 anos | 13.266 € | 8.266 € |
| 30 anos | 21.610 € | 16.610 € |
Repara na distribuição dos ganhos por década: a primeira gera 3.144 €, a segunda 5.122 € e a terceira 8.344 €. O capital cresce cada vez mais depressa porque cada ano parte de uma base maior. Na vida real há impostos e custos a reduzir o resultado, e a taxa raramente é constante, mas a mecânica é esta.
Queres testar com os teus números? A calculadora de poupança faz estas contas com reforços mensais incluídos, e no artigo sobre a calculadora de investimentos explicamos como interpretar cada cenário. Para saberes o que introduzir em cada campo e que erros distorcem o resultado, segue o guia da calculadora de juros compostos.
O que é a regra dos 72?
A regra dos 72 é um atalho mental para estimar em quantos anos um capital duplica a uma dada taxa anual composta:
Confere com a tabela acima: os 5.000 € a 5% passam os 10.000 € algures entre o 14.º e o 15.º ano. A regra é uma aproximação, funciona bem para taxas entre cerca de 2% e 10%, e serve sobretudo para comparar ordens de grandeza de cabeça: a 3%, duplicar demora cerca de 24 anos; a 6%, cerca de 12.
Porque é que o tempo importa mais do que o valor inicial?
O tempo importa mais do que o valor inicial porque o expoente da fórmula é o número de períodos, e é o expoente que faz o crescimento acelerar. Compara dois casos ilustrativos à mesma taxa de 5% ao ano:
- 5.000 € durante 30 anos chegam a cerca de 21.610 €;
- 10.000 € durante 15 anos chegam a cerca de 20.789 €.
Metade do capital, com o dobro do tempo, termina à frente. Começar cedo com pouco vence começar tarde com muito. Se queres uma referência de quanto deverias ter acumulado em cada fase da vida, vê o guia sobre quanto deverias ter investido aos 30, 40 e 50 anos.
Onde aparecem os juros compostos na vida real?
Os juros compostos aparecem em qualquer produto onde o rendimento fica a render:
- Depósitos e certificados com capitalização: os juros creditados juntam-se ao capital e o período seguinte rende sobre o total.
- ETFs e fundos por acumulação: os dividendos são reinvestidos automaticamente, por isso os ganhos passam a gerar ganhos. Aqui a taxa varia com o mercado, ao ritmo que os ativos renderem, sem valor garantido.
- No sentido inverso, nas dívidas: um cartão de crédito com saldo por pagar compõe juros contra ti, mês após mês, com taxas muito acima das de qualquer poupança. O mesmo motor que constrói património também o destrói.
Perceber este mecanismo é a base de quase todas as decisões de dinheiro. Se queres consolidar os fundamentos, o guia definitivo de literacia financeira organiza tudo por etapas. E para veres o efeito composto aplicado a um plano concreto de investimento, usa o simulador de investimentos.
Perguntas Frequentes
Fontes e revisão
- Todos Contam, juro simples e juro composto
- Todos Contam, simulador da poupança
- Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário, depósitos bancários
Revisto em 2 de junho de 2026. Todos os valores deste artigo são exemplos ilustrativos com taxa constante, sem impostos nem custos. Na prática, o rendimento líquido depende do produto, da fiscalidade e das comissões.
Por Liberdade Financeira
