
Taxa de Esforço no Crédito Habitação: Como Calcular e Que Limite Usar
Aprende a calcular a taxa de esforço no crédito habitação: fórmula, exemplo em euros, limite DSTI do Banco de Portugal e como baixar a tua.
A prestação da casa cabe mesmo no teu orçamento, ou só cabe no papel?
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A taxa de esforço calcula-se dividindo os encargos mensais com créditos pelo rendimento líquido mensal e multiplicando por 100. Se pagas 700 € de prestações e recebes 2.000 € líquidos, a tua taxa de esforço é 35%.
Antes de fazeres contas, confirma o que entra em cada lado da fração:
| Componente | O que conta |
|---|---|
| Encargos | Prestação do crédito habitação, crédito automóvel, crédito pessoal, cartões de crédito com pagamentos parciais |
| Encargos | Prestações de créditos que vais manter depois de assinar o novo contrato |
| Rendimento | Salário líquido (depois de IRS e Segurança Social) de todos os titulares |
| Rendimento | Outros rendimentos regulares e comprováveis: rendas recebidas, pensões |
| Fora da conta | Subsídios pontuais, horas extra irregulares, rendimentos que não consegues provar |
Como se calcula a taxa de esforço na prática?
A taxa de esforço soma todas as prestações mensais de crédito do agregado e compara-as com o rendimento líquido total. Imagina um casal com estes números:
Com um rendimento líquido conjunto de 2.400 €, a conta fica:
Este casal tem uma taxa de esforço de cerca de 33%. Um terço do rendimento líquido está comprometido com dívida antes de pagar comida, luz ou seguros.
Que limite usam os bancos?
Os bancos portugueses seguem a Recomendação Macroprudencial do Banco de Portugal, que limita o rácio DSTI (debt service-to-income) nos novos créditos. Segundo o Banco de Portugal, o limite em vigor é de 50%, e a Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 baixa-o para 45% nos contratos cuja avaliação de solvabilidade ocorra a partir de 1 de agosto de 2026.
Há uma margem de exceções: de acordo com o Banco de Portugal, a partir de agosto de 2026 as instituições podem conceder até 10% do crédito de cada semestre acima do limite (antes eram 15%). Ou seja, uma taxa de esforço acima de 45% torna o crédito muito improvável, mas cada banco mantém alguma margem para casos específicos.
Porque é que o DSTI do banco é mais exigente do que a tua conta?
O rácio DSTI que o banco calcula usa hipóteses mais duras do que a divisão simples que fizeste acima. Segundo o Banco de Portugal, nos créditos com taxa variável ou mista o cálculo aplica um choque de subida da taxa de juro: 1,5 pontos percentuais nos contratos com maturidade acima de 10 anos, 1 ponto percentual entre 5 e 10 anos e 0,5 pontos percentuais até 5 anos. O crédito habitação típico cai no primeiro caso.
Além disso, se o contrato terminar depois dos teus 70 anos, o banco considera uma redução do rendimento esperado após a reforma. O resultado: a tua taxa de esforço "oficial" sai mais alta do que a que calculas com a prestação de hoje. Se queres perceber como o choque de taxa muda consoante o regime que escolhes, lê a comparação entre taxa fixa e taxa variável no crédito habitação.
Qual é o limite confortável?
O limite confortável fica bem abaixo do limite regulatório. Uma taxa de esforço até cerca de 30-35% deixa espaço para poupar, absorver subidas da Euribor e aguentar um imprevisto sem entrar em stress. Entre 35% e 45% o orçamento fica apertado: qualquer subida de taxa ou quebra de rendimento sente-se logo. Acima de 45% estás no território que o próprio regulador passou a travar.
O limite do banco responde à pergunta "consegues pagar sem entrar em incumprimento?". O limite confortável responde a outra: "consegues pagar e continuar a construir património?". São perguntas diferentes, e a segunda é a que te interessa.
Como baixar a taxa de esforço?
Baixar a taxa de esforço passa por reduzir os encargos, aumentar o rendimento comprovável, ou ambos:
- Liquida primeiro os créditos pequenos e caros. Um crédito pessoal de 150 €/mês pesa muito no rácio e costuma ser mais rápido de eliminar do que renegociar a casa.
- Alarga o prazo ou renegocia o spread. Prazo mais longo baixa a prestação mensal (e sobe os juros totais, é uma troca consciente).
- Amortiza capital do crédito habitação. Antes de o fazeres, compara com a alternativa de investir esse dinheiro no artigo sobre amortizar crédito ou investir.
- Entra com mais entrada. Menos capital financiado significa prestação mais baixa desde o primeiro mês.
- Soma um segundo titular com rendimento comprovável, se fizer sentido na tua situação.
Testa os teus números no simulador de crédito habitação antes de falares com o banco: vê a prestação com o choque de taxa incluído e percebe quanto folga realmente tens. Para o processo completo, do pedido à escritura, segue o guia completo do crédito habitação em 2026.
Perguntas Frequentes
Fontes e revisão
- Banco de Portugal, comunicado sobre a revisão da Recomendação Macroprudencial
- Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 (PDF)
- Banco de Portugal, para que serve a medida macroprudencial
Revisto em 2 de julho de 2026. Os limites do DSTI e o choque de taxa aplicável podem ser revistos pelo Banco de Portugal; confirma a recomendação em vigor antes de tomares uma decisão.
Por Liberdade Financeira
